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Teste do Mercedes Actros 2655 6×4 com motor V8 da Mercedes-Benz





O mercado de caminhões é diferente de outros do setor automotivo. Afinal de contas, aqui a relação custo-benefício vai além do valor pago por um modelo em comparação com os itens que ele oferece. Para um caminhão, não basta ter curvas arrojadas, motor potente e opcionais de conforto. O veículo precisa ajudar o dono a fazer dinheiro. Mas não se engane: um motor forte de alta aceleração pode sim ser rentável.
É esse o foco do Actros 2655 6×4 com motor V8 da Mercedes-Benz. O trem de força OM 502 LA, de 551 cavalos de força e 16 litros, faz o modelo se destacar como um dos mais potentes vendidos no Brasil. Esta, porém, não é somente uma característica de estilo. O Brasil Caminhoneiro teve a oportunidade de testar o caminhão nas rodovias que cortam a cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, e comprovar a eficiência do caminhão da marca alemã.

O motor com tecnologia BlueTec 5 (o padrão Euro 5 da Mercedes-Benz, que atende ao Proconve P7 e utiliza o Arla 32 no pós-tratamento de emissões) chega ao torque máximo de 2.600 Nm a 1.080 rpm. Mesmo consumindo mais combustível, o resultado do desempenho dele melhora de acordo com a distância da viagem. “A potência do motor em retomadas de velocidade e subidas ajuda a diminuir o tempo de viagem, equilibrando o custo-benefício”, explica Gilson Zinetti, engenheiro de marketing da Mercedes-Benz do Brasil. Ou seja: viagens interestaduais serão feitas em menos tempo, equilibrando o consumo de um motor V8 com o de outros modelos, porém com as vantagens de passar menos tempo rodando de um ponto a outro e aumentar a velocidade média do frete.
O equilíbrio no consumo também vem com a transmissão automatizada Powershift 2, de 12 marchas sem anel sincronizador. Os sensores da caixa engatam a marcha correta de acordo com a inclinação da pista, evitando sobregiros, melhorando o desempenho do pesado e garantindo maior vida útil aos componentes do caminhão. Ou ponto é o freio-motor Top Brake, que torna as descidas mais econômicas sem precisar de “macetes” perigosos como desengatar o caminhão.

Com tudo isso, o modelo V8 da Mercedes-Benz, produzido na planta da empresa em Juiz de Fora (MG), pode utilizar a configuração bitrenzão de 9 eixos, ou rodotrem de 9 eixos, puxando até 74 toneladas de PBTC.
Por se tratar de um estradeiro, o Actros 2655 6×4 possui cabine espaçosa e muitos itens de segurança. O padrão é conhecido da equipe do Brasil Caminhoneiro, uma vez que já testamos o Actros na versão 2646 6×4 em 2012.

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Mercedes - tecnologia-a-servico-da-seguranca



por Fábio Rogério
da Redação do Portal
Não é só pelo tamanho da cabina Megaspace (3,483m) e potência do motor (456 cavalos) que o Actros impressiona. No test drive feito pelo Portal Brasil Caminhoneiro, foi possível verificar que a tecnologia muda por completo o conceito de condução segura de um veículo comercial.
Antes de pegar a estrada, o motorista da fabricante acionou o sistema de gestão de frota FleetBoard. Apresentado em setembro de 2009, o equipamento utiliza um computador de bordo e a Internet para disponibilizar dados on line sobre a frota do cliente.
Com o FleetBoard, o transportador pode saber qual é a posição do caminhão em um mapa digital a qualquer momento, pois a informação é coletada via satélite. Também é possível identificar pontos de interesse no trajeto, como os locais de carga e descarga, postos de combustíveis, estacionamentos e serviços.
No Actros, o FleetBoard permite que o gestor envie mensagens em forma de texto ao display do painel de instrumentos do caminhão. O motorista recebe as informações e, se for o caso, pode reagir imediatamente. Além disso, o gestor tem acesso a dados do veículo, como nível de óleo, desgaste dos freios e quilometragem até a próxima manutenção.
Contra cochilos
O sistema de orientação de faixa de rolagem funciona com uma câmera montada no parabrisa, que detecta a posição do caminhão em relação às faixas de estrada, à direita e à esquerda. Se o veículo sair de uma faixa para outra sem que o motorista dê a seta, um alerta sonoro é acionado. É impossível que o motorista não ouça o aviso.
Sem bater
O sistema de controle de proximidade é outro destaque, que opera com um radar localizado no pára-choque. O equipamento monitora o tráfego à frente, calcula a velocidade dos demais veículos e, na distância preestabelecida em relação ao veículo da frente (que pode ser escolhida livremente pelo motorista na alavanca multifuncional citada pelo editor Mauro Cassane), determina a velocidade do Actros. É surpreendente ver um gigante como esse bruto “tomar vida” e fazer a redução de velocidade e assumir o espaço que lhe foi determinado.
Proteção ativa
O sistema ativo de frenagem do Actros procura impedir toda e qualquer colisão. Se alguma coisa acontece a sua frente – como a frenagem inesperada de outros veículos –, a velocidade é reduzida por todos os sistemas de freio disponíveis, e conforme a necessidade. Quando há risco de colisão, surge um alerta visual e sonoro e, em seguida, os freios são levemente acionados. Se a prevenção não for suficiente, o caminhão realiza uma freada de emergência.
Os freios contam com sistema ABS e ASR, que também garantem uma maior vida útil dos componentes dos freios e dos pneus. Enquanto o ABS permite a dirigibilidade do caminhão em frenagens de emergência e pisos escorregadios, o ASR garante o controle da tração do veículo em situações de pouca aderência.
Foto: Mauro Cassane

A grande estrela da Mercedes-Benz que faz quase tudo sozinho




por Mauro Cassane
Na estrada, ele chama atenção. Da cabina, você pode ver os outros caminhões por um ângulo um pouco mais solene: por cima. A versão completona que avaliamos do Actros 2646 LS 6×4 tem 3,483 metros de altura. São quatro degraus para se acomodar lá em cima, no cockpit do motorista. E o termo se acomodar é levado a sério: Sentado a um banco que poderia ser chamado de poltrona, tudo se ajusta para propiciar uma condução perfeita.
É um caminhão top de linha. A própria Mercedes-Benz o recomenda a transportadores “altamente profissionalizados, que focam a produtividade e valorizam a tecnologia, conforto, segurança e potência, além da economia de combustível”.
A faixa de preço, por volta de R$ 500.000,00, também posiciona este produto especificamente para grandes empresas de transporte. Por um pouco mais da metade deste valor é até possível comprar um pesadão que faça o mesmo serviço, mas que está a anos-luz de oferecer os mesmos recursos.
É, sem dúvida, um veículo para quem precisa oferecer muito mais do que simplesmente transportar mercadorias de um ponto a outro. E há aí um nicho de mercado que todas as fabricantes nacionais estão de olho.
Para o transportador que quer prestar serviços a grandes empresas geradoras de carga itens como mais segurança, mais eficiência, mais conforto e, acima de tudo, rentabilidade, são considerados. E, para atender a estas demandas, não dá para economizar em tecnologia.
O Actros, que ainda é importado, mas ano que vem começa a ser produzido no Brasil na fábrica que a Mercedes-Benz já tem em Juíz de Fora/MG, encontra seus concorrentes diretos em modelos oferecidos pela Iveco, Scania e Volvo. Já anunciado, ano que vem chegam também os modelos top da MAN e vai ser, por certo, briga de gigantes.
Grosso modo, estão todos no mesmo patamar, tanto quando se fala de preço quanto de tecnologia, mas é ao volante que se pode detectar algumas distinções e vantagens. Nesta nossa primeira avaliação, embora conheçamos os concorrentes diretos, não faremos comparações.
Outro ponto que julgamos não ser sensato aferir é o consumo. As variantes são tantas que não vale a pena apurar. Tudo pode interferir: o jeito de conduzir, a temperatura, as intempéries, a topografia, condições da estrada, de tráfego, etc. Definitivamente, qualquer medição de consumo feita é suspeita e sujeita a contestações. Portanto, deixamos de fora.
Um pesadão com um motor com 456 cavalos de potência e mais de 40 toneladas nas costas pode fazer desde 1,5 até quase 3 quilômetros com um litro de diesel. Tudo vai depender dos fatores acima.
O câmbio automatizado do Actros leva a marca Mercedes-Benz, MB G 330-12 – a última dezena indica que há uma dúzia de velocidades disponíveis. As últimas são bem mais longas, ideais para velocidade de cruzeiro. Além da comodidade para o motorista, pode apostar, a tocada fica bem mais econômica.
Item que chama atenção logo de cara nesta nave da Mercedes-Benz é o botão no painel que impede que o caminhão dê aquela indesejável volta para trás em rampas. Acionado, você tira o pé do freio e pisa tranquilamente no acelerador botando o caminhão em movimento. Para motoristas desatentos isso não é luxo, é segurança.
Avaliamos o Actros com uma composição bitrem da Noma com lastro de 44 toneladas. E traçamos um roteiro onde foi possível fazer uso dos recursos, muitos aliás, do caminhão. Pegamos a rodovia Anchieta no Km 15, rumo a Santos/SP, descemos a Serra do Mar e, já na Baixada, seguimos pela Via Expresso Sul (antiga Rodovia Pedro Taques) até o município de Itanhaém, num trajeto total, ida e volta, de 320 quilômetros.
Na larga e segura Anchieta avaliamos à exaustão o piloto automático e o sensor de presença que fica posicionado bem no meio do parachoque dianteiro. Com um toque sutil na alavanca direita (onde se pode controlar diversas outras funções do caminhão) o piloto automático é acionado. O display no painel indica que está ativado e você pode escolher, também tocando um botão da alavanca direita, que velocidade quer que o caminhão siga, e se mantenha, durante parte do trajeto.
Funciona bem e as informações que aparecem no display são claras e amigáveis. O sensor de presença pode ser ajustado para qual distância do veículo da frente você prefere manter por considerar segura. Testamos com dez, vinte e trinta metros. Funcionou perfeitamente.
Resolvemos, com distância ajustada de apenas dez metros, acelerar o caminhão a 80 km/h na terceira faixa e depois voltar para a faixa da direita logo atrás de um Uno que certamente trafegava a uns 60 km/h. Nesta situação, sem que tocássemos no freio, o sensor freou o caminhão e instantaneamente o botou na mesma velocidade do Uno (respeitando a distância estipulada).
Tudo tão rápido, e eficiente, que nem deu tempo para o motorista do Uno se assustar com o caminhão gigante crescendo em seu retrovisor. A dez metros a composição toda respeitou a velocidade do pequeno carro à frente e não fez aquela aproximação ameaçadora, muito comum, aliás, nas estradas brasileiras. Tudo isto, é preciso destacar, sem que o motorista precisasse fazer nada além de tão somente tomar conta do volante.
Para mudar de faixa, caso se esqueça de dar a seta indicando a manobra, um sensor dá o alerta sonoro. Um tanto escandaloso, eu diria. É uma precaução técnica para o caso de algum cochilo, mas funciona bem como educador de trânsito também.
Com piloto automático, sensor de aproximação, sensor que adverte mudança de faixa sem sinalização, sensor que aciona o parabrisa em caso de chuva e liga automaticamente os faróis, sensor que mantém a cabina climatizada com o caminhão desligado, cabina com piso plano, câmbio automatizado e computador de bordo, o Actros surpreende e foge, tecnicamente, do lugar-comum.
Todo mimo tecnológico tem suas funções ligadas à segurança e à comodidade, mas essencialmente permite que o condutor se atenha à sua tarefa primordial: concentração total no ato de dirigir.
Neste ato, mais do que acelerar, que ganhar tempo, é fundamental que o caminhão consiga diminuir a velocidade com eficiência, e melhor ainda se o fizer poupando os discos de freio.
Se o caso exigir freadas emergenciais, os freios ABS e o sistema ASR (controle de tração das rodas) conseguem estancar a composição inteira (vá lá, bom motorista também chama a alavanca de freio da carreta em condições extremas de frenagem).
Mas, em situações normais, como a descida da Serra do Mar, não carece utilização do disco de freio, nem tocamos no pedal, a composição toda vai sendo controlada, ladeira abaixo, pelo freio-motor Top Brake no primeiro estágio da alavanca direita (aquela que faz quase tudo) e, para segurar ainda mais, basta baixar mais um estágio da mesma alavanca que o retardador da Voith entra em ação colocando uma cavalaria de força contrária.
Foto: Mauro Cassane